Pretende-se que haja de tudo neste kiosk. Ideias, trapos, cacos, contradições, desabafos, reflexões.Dessa forma será composto o blogue. Por um misto de rubricas e ideias soltas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Inútil & Cª

Importa fazer referência a esta anedota, para melhor compreender aquilo que o escriba quer dizer no que se há-de seguir.
Pai e filho foram ao zoo.Detiveram-se diante da jaula do leopardo, e diz o filho inchado pela sua sabedoria :"- Oh, pai, olha ! Um leopoldo ! " ; num tom condescendente, o pai logo o corrigiu : "- Não, meu filho, é um leopildo ! ".
Alguém que ia a passar um pouco ao longe, não deixando de ouvir tudo, comentou :"- Pior a emenda ddo que o sorveto ! ". E ainda mais ao longe, outro também ouviu, e rematou, triunfante : "- Quem sai aos seus, não é de Genebra ! "

Assim, no pacífico decorrer de uma reunião, alguém comentou que o Fulano do Canto, que pretensamente tinha um vocabulário muito rico, tipo frases a 5 euros cada palavra, costumava dizer que não vislumbrava, quando lhe perguntavam se tinha visto o Zé da Esquina por ali. Comentou-se sobre a falta de adequação do verbo utilizado pelo do Canto, quando um outro participante da reunião,pessoa letrada, de méritos e inteligência indiscutíveis, resolveu ridicularizar : "- Ah, ele diz que não dislumbra ? É mesmo um nabo esse gajo ! "
Francamente, não sei como o burro se introduziu no conselho.

O sufixo " -mero", em química, significa uma cadeia de vários radicais todos iguais, que dão origem ao chamado polímero ( que poderá ser o comum saco plástico do hiper ). Por outro lado, o sufixo "-metro", é colocado nas palavras usadas para definir medições.
O nosso amigo, uma vez que nada dislumbra, aconteceu-lhe o mesmo que o gajo que queimou as duas orelhas ao passar a ferro : já ia em Genebra, e trocou os sufixos. O azar é que transformou um produto químico num, sei lá, medidor de calinadas ???

Femina



Para ti, Maria Simone

Não lavei os seios
pois tinham o calor
da tua mão.

Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.

Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo,
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.

Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos,
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.

Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:
donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

odeio clichés

No tempo em que a água mineral era pouco mais do que Pedras ( a melhor ), ou Vidago, ficava danado, quando pedia uma pedras, e, de imediato, o empregado questionava : "- Pode ser Vidago ? "

Os clichés não são apenas palavras, mas também actos. O mundo está pejado deles. Há coisas que ainda não fiz, mas que morrerei se não o fizer um dia, tais como recusar o vinho, depois do empregado daquele restaurante tascoso armado em Chez Pierre, nos acaba de servir num fundinho de copo, alegando que sabia a rolha. Sempre queria ver o que é que ele ia fazer à garrafa ( se calhar partia-ma na cabeça...)

É assinalável o tempo que demora quando pedimos a conta num restaurante. Injustificadamente. Afinal, nós estamops lá para comer e pagar e eles para receber. A nossa parte está feita. Porquê, então essa demora com a conta ? Não sei. Só sei, que a melhor maneira de apressar a coisa é partir, ostensivamente, qualquer coisa. No segundo imediato, lá estarão não só o empregado, como o gerente ( e se calhar a ASAE )

Quando perguntamos se a mousse de chocolate é caseira, a resposta é invariável : " Absolutamente ! "- quando sabemos muito bem que, na melhor das hipóteses é assim classificada porque foi feita em casa. Para contrapor esse cliché, costumo manifestar a minha preferência pela mousse sintética. Não é por nada. Gosto é de ver o empregado desconcertado.

para ti maria simone

constatações # 5

Tempos houve em que pensei em comprar um colchão de água.Depois desisti da idéia quando me apercebi que assim a minha cama se transformaria no Mar Morto.

Tive, comprovadamente, a certeza de que a mulher ( que me desculpem as outras ), é de facto um objecto sexual : sempre que eu queria sexo, ela objectava.

E há o tal fulano que foi ao tribunal responder por ter feito amor com uma mulher morta. Acontece que se tratava da mulher dele, e acabou por ser ilibado quando se justificou ao juíz, dizendo que nem sequer tinha dado por ela, não havia notado nada de diferente em relação às outras vezes.

Quando entrares numa cama onde estejam afixadas na cabeceira as regras de conduta, comportamento, permissões e proibições, então o melhor é nem sequer entrares. De nada te vale fazeres de conta que és analfabeto. Regras são regras. Ou jogas assim, ou vais procurar uma cama cuja cabeceira não se pareça com um outdoor.

Quando, no fim do acto, sentires que te falta alguma coisa, e vês a companheira a pisgar-se rapidamente pela cama fora, então não tenhas ilusões : só não pagaste, de resto foi como se lá tivesses ido.

Quando, em pleno acto, a mulher te pergunta se já gozaste, podes concluir duas coisas : ou a ansiedade para que aquilo termine é tanta, que não resiste a perguntar, ou, e podes ter a certeza, é-lhe absolutamente indiferente o que se está a passar, e apenas quer saber quanto tempo mais precisa de estar naquele outro sítio ( que não debaixo de ti ), para onde se tele-transporta, enquanto tu, tristemente, suas e resfolegas. Em vão.Daí o gajo do tribunal ter sido ilibado.

Mas o melhor é fazeres-te desentendido. Concentra-te. Já que ali estás, continua. Não para teu proveito e gozo, mas apenas para a chatear mais um bocadinho, e até lhe podes mostrar que és um gajo bom, se quiseres. Nem que fiques com cãimbras nos queixos.

Adeus Tristeza